1. Whenever Richard Cory goes down town
We, people on the pavement, look at him. Dez e tanto, saímos da EF eu, a Lena (Rússia) e o Arthur (França). Pegamos um ônibus no centro de Cambridge (não sem antes perdermos o primeiro porque a Lena precisou ir ao banheiro) e fomos pra New Market. De lá, mais um ônibus – este mais parecido com uma lotação, pra falar a verdade – e fomos para Moulden, uma cidadezinha bem caipirona, mesmo. E foi lá que a viagem começou.
Descemos do ônibus e fomos andando para Gaseley. O caminho passa por uma ponte medieval, uma igreja de pedra muito bonita, uma pequena trilha no meio de uma “floresta” (na verdade, meia dúzia de árvores de cada lado, mas dava um efeito “Senhor dos Anéis” bacana para a caminhada), vários campos cheios de ovelhas (sim, Lari, ovelhas por todo lado) e uma long and winding road na qual aproveitamos para comer umas amoras silvestres, apesar dos receios iniciais de que morreríamos envenenados meia hora depois.
Gaseley é uma cidade tão grande, mas tão grande, que tem uma rua que chama “The Street”. Tem também uma igreja que é a cópia em carbono da igreja em Moulden, e acho que só. Então, seguimos a Street por uma jornada cheia de animais mortos pelo meio do caminho, o que nos levou a crer que estávamos mesmo indo para Mordor.
Acho que no total, são umas duas horas de caminhada. Às vezes chovia, às vezes não, mas de um modo geral foi um passeio agradável. Chegamos em Dalham, que era nosso destino, mesmo, e não pudemos comer no pub local por uma questão de 5 minutos. Não tem importância, a gente tinha levado uns sanduíches para qualquer eventualidade, e acabamos só tomando uma cerveja e descansando as pernas. Depois, tínhamos que subir um morro pra achar a igreja, que era o motivo pelo qual fomos pra lá.
Dalham é uma vilazinha bem tradicional inglesa, e fomos lá pra ver como as coisas se davam no primevo. No topo do morro, a igreja e a casa do “dono do pedaço”, o Richard Cory, tipo o senhor feudal. E lá embaixo, a ralé, we, people on the pavement.
A vista é muito bonita, entramos meio que furtivamente na igreja, e foi bem bacana. Daí, voltamos e mais duas horas andando, mais dois ônibus etc. Na volta ainda vi dois moinhos de vento, mas toda vez que os indicava para o Arthur, os moinhos já não estavam mais à vista quando ele olhava. No final ele achou que eu era um Don Quixote às avessas ou coisa que o valha.
Depois ainda tivemos um jantar de despedida para a Sara (Espanha), e sábado era dia de acordar cedo...
2. Minha pátria é a língua portuguesa
Não quero mais viajar sozinho pra um lugar cuja língua eu não conheça. Chegando em Bruxelas foi ok, porque lá se fala francês e eu sei pelo menos perguntar se a pessoa fala inglês. Além de que encontrei um café brasileiro, e pude me comunicar de verdade com alguém (além de ir na padaria italiana ao lado e comer um pouco de mortadela, da qual estava com saudade). Mas de Bruxelas pra frente, o horror!
Primeiro que é muito escroto um país ter uma coleção de línguas. O Fred que me perdoe, mas país tem que falar uma língua só e pronto. O máximo aceitável é ter dialetos, mas ainda assim não pode abusar. E é ainda pior se a sua outra língua é holandês.
E agora, uma coisa que eu notei também na Holanda: os ingleses têm sorte de terem uma língua que é uma salada de frutas de dinamarquês, saxão, francês e latim. Porque essas línguas de origem bárbara (literalmente), quando são mais “puras”, são um negócio pavoroso. Dói o ouvido ouvir tanta palavra feia junta. Concordo com um dos professores da EF: você sabe se as palavras inglesas têm origem latina ou não pela forma como soam. Se são bonitas, como “embrace”, têm dedo romano. Se são só um ruído escroto, como “hug”, é porque vêm dos saxões.
E na Holanda, parece que todas as palavras têm um som parecido com uma catarrada, que é a forma como eles leem o “g”.
Afora isso, putaqueopariu, que cidade linda é Amsterdam.
3. I Amsterdam
Quando você sai da estação central de Amsterdam, você tem a noção exata do que é a cidade. As duas primeiras coisas que você vê são um monte de água e uma espécie de estacionamento que não deve ter menos que cinquenta mil bicicletas (chutando baixo). Deixar a bicicleta lá é pedir pra não achar nunca mais, coisa sem noção.
Lá, o encontrei o Arnold e fomos para a residência dele.
De novo: putaqueopariu, que cidade linda é Amsterdam.
Não sei, ela é diferente de Londres, por exemplo, porque em Londres você tem várias coisas bonitas para olhar, e elas se destacam como coisas imponentes. Amsterdam é menos impressionante simplesmente porque tudo é bonito, então não tem tanto contraste. Construções bonitas em Amsterdam são que nem arquitetura feia em São Paulo: nem se nota, porque estão em toda parte.
No sábado eu cheguei às 17h e nós fomos ao mercado porque ia ter um jantar de despedida de um cara do Usbequistão que estava lá havia um ano. Depois, fomos à noite.
Acho que essa coisa de night life, flexibilização moral (i.e. putas e maconha) etc é um pouco a imagem que se tem de Amsterdam, e embora seja limitar a cidade, também não deixa de ser verdade. Muitos bares e clubs, banheiros químicos* no meio da praça, gente pra todo lado (e bicicletas pra todo lado).
Talvez porque estivéssemos falando inglês – e certamente porque muitos turistas vão pra Amsterdam atrás de outros tipos de viagem –, por três vezes nos meus dois dias na cidade, pessoas esquisitas vieram perguntar se nós queríamos cocaína. Tipo no meio da praça, mesmo, e você declina gentilmente e é como se nada tivesse acontecido. Ok.
Foi uma coincidência interessante que Usmon (esse é o nome do Usbequistanês) e cia tenham escolhido para a noite o mesmo bar que a Rebecca havia escolhido com as amigas dela, mas foi ainda mais curioso que nós (eu, Arnold etc) tenhamos pegado a fila exatamente atrás dela. Foi legal rever alguém que eu achava que nunca mais veria, apesar de que tinha muito barulho e mal deu pra conversar. No domingo ela ia fazer alguma coisa relacionada a cavalos (ela pratica hipismo) e na segunda começava as aulas na faculdade, então daquela vez era adeus, mesmo.
De qualquer forma, no domingo é que eu pude realmente conhecer a cidade. Todas as bicicletas dos roomates do Arnold estavam em uso, de forma que eu tive que sentar naqueles banquinhos de trás da bicicleta dele (garupa?) e o coitado me carregou pela cidade inteira. Palácios, igrejas, monumentos e tudo o que as pessoas realmente deveriam procurar na Holanda, ao invés de maconha (até porque, quem vê pensa que alguém precisa realmente ir pra lá pra fumar um baseado).
Tivemos que escolher um museu pra ver, e apesar da tentação de ir ao Van Gogh, acabei optando por um “geral”, mesmo. Aproveitamos que o Ajax tava jogando e fomos assistir num barzinho, e o resultado oxo foi total decepcionante diante do massacre que foi a partida. Depois, em troca do “bed and breakfast” e do “bike tour”, eu paguei jantar pro Arnold, o que me custou 20 euros.
Ainda decidimos ir a algum lugar à noite, o que fez com que cruzássemos o Red Light District**, que é mesmo um ponto obrigatório para turistas. Mas sei lá, muito barulho por nada, acho. Tirando a degradação da mulher enquanto ser humano que é expô-las em vitrines, não é nada que não se vê na Augusta, acho. Ou em outdoors de lingerie.
De qualquer forma, achamos um bar que tava televisionando Barcelona x Manchester City (acho que era um amistoso, sei lá) e ficamos pelo tempo de uma cerveja, só, porque tava um cheiro muito escroto lá dentro.
Voltamos para casa e basicamente foi o fim da minha estadia em terras holandesas. Ah, sim. E eu vi outros moinhos de vento, também, claro.
4. Take the long way “home”
E é isso aí. Tchau e bênção. Peguei o trem na Amsterdam Centraal às 12h37, mas ele atrasou e eu perdi o trem em St. [nome com consoantes demais para que eu me lembre], de forma que tive que esperar lá por uma hora. Acabei de ler o Neuromancer, mas acho que eu não consegui “entrar” na história o suficiente.
Acabou que cheguei em Bruxelas em cima da hora e entrei no Eurostar segundos antes de a porta fechar. Legal como mesmo com coisas dando errado, parece que no final as coisas se ajeitam pra mim. Assim eu posso continuar sendo irresponsável impunemente. É tipo uma mensagem de Deus, eu sei.
Também foi engraçado porque a mulher do Eurostar ficou apressando a policial inglesa da imigração. Dessa vez não foi a mesma chateação com documentos do que quando eu cheguei na Inglaterra em julho, mas ainda assim a mina perguntou onde eu estudava, quanto tempo ia ficar no Reino Unido, fazendo o que, etc. Enquanto isso, entrar na União Europeia é mamão com açúcar, ninguém tá nem aí pra nada, só querem carimbar logo seu passaporte e chamar o próximo. Tá certinho.
Right now, estou no Eurostar, e tomara que esteja no trem certo, que nem deu tempo de verificar. Claro que até eu postar isso, já terei descoberto, mas não pretendo mexer no texto original, para manter a autenticidade.
Em tempo, estou pensando em assistir a Chicago em London, antes de pegar o trem pra Cambridge.
5. Sumário (ou “lista de atividades a fazer pela primeira vez na vida”)
Invadir uma igreja [Done]
Ver moinhos de vento onde não tem [Done]
Frear uma bicicleta com os pés [Done]
Pagar EUR 0,50 para mijar [Done]
Andar na garupa de uma bicicleta [Done]
Ver putas em vitrines [Done]
Fumar maconha [Fail]
*Chamar aquilo de banheiro químico é um pouco de bondade minha. Tá mais pra um pinico público.
**Aliás, da janela do trem, eu vi que a Bélgica também tem putas expostas em vitrines com luzes vermelhas, igualzinho à Holanda. Sabia, não.
Ga, que primor de postagem!!! Estou com a maior inveja de vc, que conheceu Amsterdam e, ainda por cima, com alguém que é de lá, o que torna tudo mais bacana! Minha mala já está pronta, já já to baixando aí! Bj
ResponderExcluirJá pensou em postar em vários textos. Com fotos e etc.
ResponderExcluirParece q sua foto não vai sair (só pra avisar familiares e amigos), mas já transformei sua monografia em PDF.
by the way, vc não acha q esses seus familiares que passam aqui de vez em quando podem ficar meio estranhados com essas suas experiências? ou vc ligou o foda-se ;p
Fotos no orkut, rapaz.
ResponderExcluirE não sei de que experiências estás falando.
O melhor é vc dizer que viu moinhos onde não havia moinhos, e depois querer convencer a gente que passou por Amsterdam "limpo". Shut the fuc#$% up!
ResponderExcluirPra não dizer que não comentei ;)
Abs
Em tempo, tá foda heim fdp... novo tricolor de itaquera. Preto, branco e roxo?
ResponderExcluirQueporréssa? Forro de caixão?
Adorei a nova camisa roxa 8-)
ResponderExcluirA-N-I-M-A-L!!
ResponderExcluirmuito legal mesmo as suas aventuras por aí e tomara que continue assim animal! vou ver as fotos no orkut que eu ainda nao vi... um dia faço uma viagem assim!! =D
abraçao
alf